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Devaneio tático

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Lucas Sales

Lucas Sales

Vamos conversar sobre tática?

Passados 20 dias de uma ausência total do futebol brasileiro e de todos os fatos mais importantes que aconteciam em terras tupiniquins, eis que retorno ao meu hábitat natural. Salvador, 28ºC. Diante dos meus olhos, um jogo um jogo morno, sem brio, típico de uma 20ª rodada de Série B. Pena que essa visão pitoresca era o Bahia jogando contra o Avaí, diante de sua torcida, almejando um distanciamento da tão temida zona de rebaixamento para a segundona. Nesse período em que estive fora, algumas coisas mudaram no país. Gente sendo indiciada, outros de cabeça raspada, mas o que mais me incomodou mesmo foi a mudança de postura tática do time do Bahia.

Destaque dos noticiários nacionais no primeiro semestre, o time de Guto Ferreira mostrava um padrão tático agressivo, que mesclava velocidade para a atacar e boa compactação defensiva. Apesar de falhas pontuais no sistema e da demora para essa formação encaixar, o time encaixou e com isso vieram as boas atuações e o título do Nordeste. A transição de bola rápida e vertical era uma característica que impressionava, o que favoreceu jogar até mesmo sem um centroavante (veja só) e mascarar alguns problemas crônicos desse elenco, como a carência das laterais.

Mas Guto é passado! O nome da vez é Jorginho, técnico de personalidade. Mas, e quando essa personalidade atrapalha? Desde a sua estreia, no triunfo por 3 a 0 ante o Atlético-GO, já era fácil perceber a imposição de sua filosofia de jogo, ainda que discreta. Naquela partida o Bahia já valorizava mais a posse de bola, forçava as saídas de jogo de pé em pé e apresentava linhas muito mais espaçadas. Por melhor que seja a intenção, são mudanças drásticas de comportamento e perigosas para serem implementadas no meio de uma temporada, ainda mais com um elenco limitado tecnicamente.

Não importa de que geração você seja, o ditado: “em time que está ganhando não se mexe”, sempre será clichê, mas, por outro lado, uma verdade incontestável. Surfando de encontro a essa onda e tomando uma vaca na cabeça, Jorginho tenta impor sua filosofia a qualquer custo, seja desconstruindo a marcação alta que obrigava os adversários a terem uma saída de bola deficiente ou mesmo valorizando uma posse, que não resulta em chances claras de gol. Se antes o Bahia pecava pela quantidade de gols perdidos, hoje peca por um time previsível, pouco criativo e sem compactação defensiva. Resta aguardar até quando a pessoalidade falará mais alto que a coerência.
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